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© 2019 por Cubbos

  • Rachel Carneiro de Sousa

Desenvolvimento Institucional e a Sustentabilidade Financeira das Organizações Sociais


De acordo com dados do IPEA – Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, o Brasil fechou o ano de 2017 com 820 mil Organizações Sociais existentes. Tirando as organizações religiosas e fundações privadas, que possuem uma lógica de sustentabilidade financeira diferenciada, temos 709 mil são associações civil sem fins lucrativos que provavelmente dependem de captação de recursos recorrentes para sua sobrevivência.

Apesar do terceiro setor estar buscando cada vez mais conhecimento e formas de aprimorar sua gestão, a realidade é que a grande maioria ainda depende da viabilidade de projetos de curto prazo (que geralmente têm até um ano de duração) para sua sobrevivência. Essa cultura de ciclos anuais vem de muito tempo atrás, quando começamos a usar fortemente as leis de incentivos fiscais para “facilitar” a conquista de patrocinadores, mas a cultura ficou, mesmo quando o uso da lei de incentivo não existe mais.


O ponto negativo é que a organização não consegue pensar pra valer na sua sustentabilidade financeira, que é, sem dúvida, de longo prazo, porque está com todos os esforços ainda focados em viabilizar o hoje. E o que acontece se aquele projetinho tão importante não for aprovado na lei de incentivo dessa vez? Ou o que pode acontecer se aquele patrocinador que já estava há 2 anos aportando recursos na organização decidir que a partir de agora ele não pode mais (a crise financeira está aí para todos) ou, pior, que ele não quer mais por alguma razão interna (novo propósito do investimento, redirecionamento e outras mais)? A organização social entra em desespero!


É por isso que eu defendo tanto uma visão de longo prazo nas organizações sociais, uma visão de Desenvolvimento Institucional. A sustentabilidade se conquista aos poucos. Migrar de uma visão de patrocinadores pontuais para patrocinadores perenes não acontece da noite para o dia. É preciso trazer conhecimento especializado, métodos eficazes para planejar o futuro e, principalmente, ter um olhar interno de correção dos erros de gestão. Um olhar de “arrumação da casa” antes de ir para rua captar é tão importante quanto o esforço de buscar patrocinadores. Hoje, não basta ter uma causa legítima e uma boa atuação. Estamos vivendo um período de crise de confiança (política, social, que reflete nas OSC’s) e aquele que melhor souber mostrar qual é o seu propósito e demostrar competência interna institucional para solucionar um problema social sairá na frente, sem dúvida!

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