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© 2019 por Cubbos

  • Rachel Carneiro de Sousa

OSC’s: a captação de recursos começa "arrumando a casa"​ antes de iniciar a corrida para conquistar


Já há alguns anos percebo que a quantidade de pessoas que estão deixando suas profissões em diversas áreas para ingressar no terceiro setor vem aumentando. Em geral, estão em busca de uma atividade que tenha um propósito maior, em defesa de uma causa, e, com isso, tentam migrar para a área social. Vejo isso fortemente nos alunos que se matriculam a cada semestre no curso de Gestão de Organizações do Terceiro Setor do Programa de Educação Continuada da Fundação Getúlio Vargas (FGV) onde sou professora, por exemplo. O público que procura por esse tipo de qualificação é, basicamente, formado de pessoas que gostariam de trabalhar em ONG’s ou como empreendedores sociais.


E o que vejo em comum entre a maioria das pessoas que já atuam na área social e as que estão iniciando suas carreiras agora? Uma gigante preocupação, e que parece não ter fim, em conseguir dinheiro para manter viva a organização onde atuam ou viabilizar seu próprio projeto social. As aulas e conteúdos de captação de recursos e desenvolvimento institucional (que é a busca pela sustentabilidade financeira a longo prazo) estão sempre entre os mais esperados.


Em tantos anos de profissão conheço projetos que acabaram e organizações que fecharam suas portas, mesmo que temporariamente, por falta de dinheiro. Mas será que é só esse o problema? Será que o dinheiro, ou melhor, a falta dele é mesmo o maior problema dessas organizações? Eu ouso dizer que não.


Vamos fazer um paralelo com nossas finanças pessoais. Quando você percebe que seu salário não está sendo suficiente para pagar todas as suas contas do mês, qual é a sua primeira providência? Procurar imediatamente outro emprego (ou bico), sabendo que isso pode demorar a dar resultado? Ou tentar diminuir imediatamente suas despesas mensais mais supérfluas (cortar TV a cabo, diminuir os gastos com restaurantes ou reduzir a conta de telefone) e gerenciar melhor seu dinheiro até que tenha a possibilidade de conseguir um novo emprego que lhe pague mais? Acredito que a opção mais evidente seria a segunda. E por que muitas organizações sociais não fazem o mesmo e apenas se voltam para fora em uma corrida incessante por novos recursos?


Sem dúvida, um primeiro olhar para dentro da organização, buscando melhorias em sua governança e gestão, pode ser um grande primeiro passo para aumentar seu potencial de atração de patrocínios. São muitas as perguntas que precisam ser feitas antes de traçar uma estratégia de captação de recursos e iniciar uma atuação externa de aproximação com potenciais patrocinadores.


Minha documentação está em dia (certificados, certidões negativas, ata de eleição de diretoria)? Meu conselho é atuante? Meus conselheiros são porta-vozes da organização, divulgando-a para as pessoas de seu relacionamento sempre que possível? Eu tenho conseguido demonstrar os resultados obtidos pelos projetos desenvolvidos? Consigo, para além da demonstração de resultados, medir o impacto social gerado? E do ponto de vista de composição do orçamento dos projetos, parte dos custos institucionais estão sendo alocados? Tenho uma boa estratégia de comunicação e divulgação dos projetos que desenvolvo? Minha metodologia de trabalho pode ser aprimorada para reduzir custos e melhorar o impacto social gerado? Bem, eu poderia incluir nessa lista mais uma dezena de perguntas essenciais para a OSC se fazer antes da efetiva captação de recursos.

Sem dúvida, ainda mais em tempos de crise política, financeira e de confiança, ter uma casa organizada, em dia com suas obrigações legais e alinhada com as melhores práticas de gestão é essencial. Você colocaria seu dinheiro dentro de uma caixa preta sem saber o que seria feito com ele? Não? Nem eu!


É exatamente assim que as empresas pensam antes de patrocinar um projeto ou organização social. E outros doadores também, pessoas que estão em todos os lugares do país e poderiam fazer doações para causas sociais em pequeno ou em grande volume de recursos.


Olhar para dentro da organização social é o primeiro passo. No mínimo, vai trazer uma maior consciência sobre o que pode ser melhorado e isso já será um grande diferencial para atrair novos patrocinadores.


Até breve!

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