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RADAR SOCIAL - Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha




Dia 25 de julho foi celebrado o Dia Internacional da Mulher Negra, Latino-americana e Caribenha.

Apesar da data completar 30 anos, tendo em vista a luta contra a opressão, a exploração e o racismo, buscando o enfrentamento das desigualdades estruturais, estatísticas oficiais, estudos e diversos levantamentos refletem os pouquíssimos avanços.

Segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), a região da América Latina e do Caribe é uma das mais desiguais do mundo e tem o racismo e o sexismo como elementos muito presentes nas inúmeras violações que elas sofrem, ampliando a desigualdade socioeconômica das mulheres negras.

Por isso histórias de superação e de sucesso dessas mulheres devem ser valorizadas e multiplicadas.

A data traz momentos de reflexão-ação sobre a importância de dar oportunidades às mulheres afrodescendentes em jornadas que modifiquem o atual cenário, promovendo a sua participação em espaços de decisão.

É necessário o reconhecimento e dar voz à essa representatividade, pois o sentimento de pertencimento colabora no desempenho de um papel fundamental no processo de

desenvolvimento das grandes cadeias sociais produtivas.​

Em nossa equipe da Ideal Social, temos a honra de trabalhar com uma mulher negra de muita garra e sucesso, Luana Ribeiro que traz seu depoimento comentando a importância da data na pocket entrevista. Confira, se inspire e compartilhe.

1.Há alguma dificuldade que uma mulher preta enfrenta hoje em dia no mercado de trabalho formal? Quais você poderia citar que você vivenciou na sua carreira

enquanto CLT?

Esse tema de diversidade nas empresas é algo muito falado nesses últimos anos, não porque a raça humana de alguma maneira veio a evoluir sua consciência, mas sabemos

bem que envolve obrigatoriedades e isso não inibe e nem tão pouco amplia as oportunidades da mulher negra.

A mulher negra sofre por vários quesitos, primeiro por ser mulher, segundo negra. Me lembro do meu período de empresa quando estava à procura de oportunidade de trabalho, principalmente nos processos seletivos eu sofria bastante pela questão da cor da pele, de uma forma discreta. Quando você percebe que outros profissionais tinha talvez uma competência ou qualificação inferior, e mesmo assim eram aprovados por terem cor de pele branca.

Existe também a discriminação pelo cabelo e a necessidade de a mulher negra ter que passar por um processo de alisamento para conseguir “domar seus cachos” e, assim, conseguir se encaixar dentro de um padrão porque algum cliente ou presidente poderiam ser conservadores.

Eu enfrentei situações como essas durante meu período de trabalho no mercado corporativo. Ainda hoje, percebo que acontece, mas consigo me posicionar melhor.

Antigamente, não tinha tanta força, mas, em alguma medida, avançamos, mesmo que a passos curtos. Eu acredito que a mulher preta se posiciona hoje de uma forma mais firme e forte.

2.Depois que você optou por empreender, você continuou sentindo alguma dificuldade relacionada a questões de gênero e raça no atendimento profissional a seus clientes? Quais?

Eu acredito que não deveria me incomodar nem me importar com esse quesito de gênero e raça, principalmente trabalhando para o terceiro setor. Ainda assim, em alguns momentos, eu me deparo com clientes que são de fundações, associações ou com empresários bem conservadores, que apresentam um racismo disfarçado.

Infelizmente, ainda percebo que isso acontece.

Além do preconceito de raça e gênero, a mulher negra sofre também muito assédio sexual, algo fora do normal. Esse foi um dos motivos que quase me fez desistir de trabalhar para o terceiro setor. Vivi muito o assédio sexual no meio político, mas hoje não mais.

3.Hoje, atuando para a Ideal Social, como você sente essas questões no seu dia a dia, tanto na empresa como no atendimento aos clientes?

No começo eu confesso que fiquei bastante preocupada, pois, assim que eu entrei para a equipe da Ideal Social, a empresa já tinha um importante cliente que é extremamente conservador.

Na primeira reunião fiquei um pouco apreensiva, não pelo fato de ser mulher, mas por ser uma mulher preta e tatuada. Fiquei imaginando como poderia ser a reação desse cliente ao me receber. Mas esse tema diversidade na Ideal Social é muito bem trabalhado, a inclusão é perfeita e natural, não existe essa distinção, me senti super à vontade e a reunião aconteceu de forma natural. Temos um ótimo relacionamento com esse cliente e com outros que vão surgindo. A maneira como nos posicionamos acaba inibindo qualquer tipo de manifestação racial discriminatória de qualquer cliente.

Eu amo a experiência de trabalhar com a Ideal Social e, de alguma maneira, trazer essa

reflexão para os clientes sobre diversidade, inclusão, feminismo e mulher preta. Fico

muito feliz por poder encontrar dentro dessa temática as mulheres pretas chefes de

domicílio de periferias e conseguir ajudá-las, emponderando-as.

4.E na vida pessoal e profissional, como você enxerga a questão de diversidade na sociedade hoje e o que você diria que é preciso fazer para avançarmos nesse tema?

Existem as famosas cotas, que acabam forçando as empresas a atender essas obrigatoriedades. Eu não quero entrar na polemica sobre cotas. Felizmente, na minha história eu não precisei utilizar dessas cotas, mas eu sei que para muitas pessoas elas são importantes porque nós não rompemos com essa grande barreira que são o racismo e as desigualdades sociais.

A cada dia que passa percebo que as mulheres pretas estão mais empoderadas e se tornado influências positivas, virando referência nesse tema. Fico muito feliz com esse avanço, mesmo que ainda seja mínimo. Porém, por outro lado, ainda todos os dias ouvimos notícias nas mídias sobre essa questão racial, na qual é muito forte a discriminação, principalmente com mulheres negras.

Nós, mulheres pretas, temos que matar um leão por dia para conseguir mostrar nosso valor e nos posicionar firmemente para não passarmos por nenhum tipo de retaliação e preconceito, tentando ficar firmes para conseguir conquistar nosso lugar, o que é de direito na sociedade. É uma busca constante pelo reconhecimento dos nossos caminhos trilhados, como deveria ser com qualquer pessoa, de qualquer raça ou gênero, que buscou uma qualificação, se aperfeiçoou, dedicou seu tempo para fazer um bom trabalho.

Sabemos que estamos muito longe ainda de chegar no mundo ideal de igualdade, diversidade onde um respeita o outro, no qual todos se reconhecem e não fazem discriminação pela cor da pele, de cabelo e padrões. Contudo, a passos bem curtos a gente tem avançado nesse tema e as mulheres pretas desse Brasil e desse mundo estão se posicionando de maneira mais firme, forte e empoderada.

Esta data da MULHER LATINO CARIBENHA surgiu justamente para fortalecer a história dessas mulheres, desde nossas ancestrais, nossas avós, bisas, enfim, todas essas mulheres negras que resistiram firmemente a tantas situações de violência, seja ela sexual, moral, racial, preconceitos, julgamentos e padrões. É, justamente, para lembrar a sociedade sobre o valor e a importância das mulheres Negras, lembrar da sua resistência e da sua história. Nós temos tentado há várias gerações vencer e romper de vez com todo esse preconceito que existe no mundo.

5.Deixe uma mensagem final para quem está lendo sua entrevista.

Quero dizer o quanto eu sou feliz e orgulhosa de ter vindo para esse mundo como MULHER PRETA. Tenho orgulho da minha raça, da minha pele, do meu cabelo, da minha história e das tantas mulheres que lutaram e ainda lutam pela resistência, pela força e pelo empoderamento que estamos vivendo hoje. Tenho muito orgulho de ser uma mulher preta e periférica.


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