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Tendências da captação para 2022


O ano de 2022 já começou acelerado para o universo do terceiro setor. Estamos começando a superar uma visão emergencial e, por consequência, mais imediatista da captação de recursos e voltando nosso olhar para o futuro das organizações e causas sociais. Ainda é apenas um começo, mas estamos buscando superar os problemas de sustentabilidade financeira das instituições, que, em maior ou menor grau, se agravaram durante os dois primeiros anos da pandemia.

Diante disso, muitas são as “previsões de futuro” para a captação de recursos, mas decidimos compartilhar aqui 3 grandes tendências da captação de recursos (absolutamente necessárias) para 2022 na visão da IDEAL SOCIAL:

  1. Adeus à captação apenas para projetos

Historicamente, o terceiro setor elabora projetos para facilitar a viabilidade dos esforços de captação de recursos, mas sabemos que a organização que ancora sua estratégia apenas nesse formato de captação está muito mais vulnerável financeiramente. Isso porque os custos de manutenção da organização (despesas fixas), em geral, não podem ser incluídos no orçamento dos projetos a captar. Além disso, projetos, considerando o próprio significado da palavra, são ações que devem ter início, meio e fim. Ou seja, é praticamente inviável acreditar que uma organização social (OSC, ONG, organizações de impacto ou como decidirmos nomear) irá sobreviver dessa maneira, na medida em que ela precisa manter seu funcionamento mesmo quando não há projetos acontecendo (para planejamento, avaliação, prestação de contas, transparência, etc). Eu diria que é quase um antagonismo exigir melhoria nas práticas de gestão do terceiro setor e captar apenas para projetos. Incompatível!

Diante disso, uma das tendências para 2022 e anos subsequentes é sair desse formato de captação de recursos para migrar para a construção de estratégias institucionais mais robustas, que viabilizem a existência e perpetuidade da própria organização. E aqui emendo na segunda tendência para 2022...

2. Captação Baseada em Estratégia de Longo Prazo

Se a tendência anterior mostra a importância de investir em estratégias institucionais de captação de recursos, não podemos deixar de falar que esse perfil de estratégia deve considerar, obrigatoriamente, uma visão de longo prazo. Afinal, trata-se de um planejamento estratégico de captação de recursos!

Estamos falando de um trabalho de mudança de cultura interna que não acontece da noite para o dia. Então, é preciso lançar mão de metodologia específica que permita a organização social dar um salto da visão imediatista da captação de recursos, que, usualmente, trabalha em ciclos anuais.

Outro ponto importante, é repensar o papel do captador de recursos nesse novo cenário. A captação de longo prazo é fruto de relacionamento com os potenciais patrocinadores e doadores que devem ser mapeados durante o processo de construção do planejamento. E relacionamento é recorrência! Estamos falando, portanto, da necessidade de investir no profissional de captação de recursos para internalizá-lo na instituição. Ele precisará ter um profundo conhecimento da instituição e de seus projetos, assim como ter um discurso muito alinhado com o propósito institucional.

Por fim, quando se trata de uma estratégia efetiva de captação de recursos de longo prazo, não podemos deixar de ressaltar a preocupação com a diversificação de fontes. Apenas desenvolver uma lista de empresas com potencial de patrocínio ou de editais alinhados aos projetos não irá mais fazer uma OSC sobreviver.


3. ESG como novas oportunidades de captação de recursos com empresas

É notório que nos dois últimos anos as empresas estão melhorando sua forma de realizar os processos seletivos para patrocínio social e aderindo mais fortemente à publicação de editais com essa finalidade. Também é perceptível o aumento do número de editais que trazem o tema diversidade como tema transversal obrigatório ou mesmo o alinhamento da proposta de patrocínio com os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS/ONU) defendidos pela empresa como critério de classificação. Sem dúvida, o aquecimento do tema ESG – Environmental, Social and Governance (ou ASG – Ambiental, Social e Governança) no universo empresarial é responsável, em partes, por essas mudanças que o terceiro setor vem observando. As empresas estão intensificando a preocupação de estabelecer uma Agenda Social estratégica e melhores práticas de gestão social desde 2020, quando o ESG tomou uma proporção maior a partir da publicação da carta anual do Carlos Takahashi, Diretor-Executivo da Black Rock. Na ocasião, a maior gestora de fundos do mundo anunciou que a sustentabilidade se tornaria critério para as decisões de investimento da gestora, afirmando que as empresas não comprometidas com o tema estarão fadadas à ausência de investimentos e de novas entradas de capital. Fazendo um paralelo com o universo do terceiro setor, estamos vendo que empresas de capital aberto estão tornando cada vez mais as suas decisões de patrocínio alinhadas à Política Social e Agenda Social Estratégica. Esse olhar passou a influenciar o uso dos recursos incentivados, mas também o uso do “dinheiro bom”, como é conhecido entre as OSC, ou seja, dos recursos de patrocínio que não vêm de incentivos fiscais e, portanto, não está restrito à aplicação em rubricas específicas de um projeto.

Para as empresas não se trata de marketing, como sempre acreditamos no terceiro setor. É uma questão de atração de investimento (leia-se sobrevivência do negócio) e as OSC’s que não compreenderem mais profundamente do assunto podem acabar tendo dificuldade ainda maiores de captar com empresas nos próximos anos. Rachel Carneiro

CEO e Fundadora

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